
O programa foi indescritível. Não sei porque, me emocionei muito mais que “ao vivo”, na palestra “Humor and Health” e no workshop “What’s your love strategy?”. Talvez seja pela TPM, ok, pode ser, mas ele pareceu mais dono do controle no programa. Foi incrível.
Não vou contar todo como foi; ele repetiu muitas das idéias, conceitos, opiniões, posicionamentos, etc. Tudo fantástico. E o mais incrível: em nenhum momento ele citou o palhaço. Todo o trabalho em favor da mobilização social era político, econômico, social, ambiental, vital, tudo o que você possa imaginar.
Ah, e uma coisa nova eu pude aprender; e como.
O apresentador Cunha Jr. apresentou um depoimento pessoal: ele estudou medicina, mas se frustrou com uma série de situações, muito semelhantes às relatadas no filme “Patch Adams – O Amor é Contagioso”, com Robin Willians. Pacientes tratados simplesmente como fígados com câncer, corrupção, controle da indústria farmacêutica, sobreposição dos lucros à saúde dos pacientes, negativismo, etc. Hoje, ele é jornalista, e com isso é feliz.
Bem, Patch acenou com a cabeça, concordando enquanto o apresentador falava, e então começou: “São pessoas como você que não consigo entender. Vê as coisas acontecendo erradas, e não faz nada para mudá-las, simplesmente desiste! E ainda pensa ser jornalista, você acha que jornalismo existe? Ou também não são corporações sobrepondo seus interesses lucrativos sobre a informação que a população acessa?”. E então ele continuou atacando muito a televisão e as grandes emissoras; e insistiu na primeira questão, que foi a que realmente me tocou. Eu juro que não esperava por essa reação, e é simplesmente lógica, simples e genial!
Quantas vezes nos omitimos de fatos que acontecem diante de nós??? De crianças esmolando na rua? De uma amiga que é molestada pelo namorado? De um colega que sofre preconceito no trabalho? De um político que não é julgado? E a gente simplesmente reage dizendo que o mundo é injusto, de não acreditar que as coisas sejam assim. E não suportamos ter que conviver com isso. E vamos procurar outra coisa para fazer para que possamos contribuir de uma outra maneira (estou sendo otimista com o exemplo de pessoas que procuram contribuir).
A incoerência do mundo que vemos é também a nossa. Eu faço parte do mundo que vejo todos os dias, e se eu não fizer nada para mudá-lo, também contrariarei minha própria ética.
Eu quero enfrentar de frente o mundo em que vivo, com seus prós e contras, e quero fazer tudo o que estiver dentro do meu alcance e dos meus valores para, ao menos, dizer que fiz e exigir que os outros também o façam.