quarta-feira, 24 de outubro de 2007

20/10/2007 - Hospital São Paulo

Sábado
Horário: 19h - 21h30


Hmm hoje eu fiz um melhor amigo! Foi demais! Demorou um pouco pra ele dizer que me amava, mas depois de uns 40 minutos visitando juntos alguns quartos, ele assumiu. É um menino graduando chamado Ricardo, do quarto ano, que sofreu um coma antes de entrar na faculdade e ainda sofre algumas sequelas. Ele estava de passagem pelos quartos, e de repente contava mais piadas que eu. Ele estava ali por conta de uma paciente, cujo tratamento ele acompanha, a dona Maria Aparecida, uma negona linda e forte, com dois filhos mais lindos ainda, um de 16 e outro de 18; é claro que já viraram meus namorados.
Hoje o dia foi uma alegria. Era incrível como todos me amavam. Eu nem precisava insistir muito, era só perguntar e todos concordavam! Quero dizer, quase todos. Duas pessoas somente resistiram. O meu melhor amigo, de início, e a Márcia, lembra dela? Ela estava com o maridão na minha última visita ao hospital, toda radiante. Bem, quando cheguei no terceiro andar, ela estava sentada nas poltronas ao lado do orelhão, e de cara me reconheceu (apesar de eu estar com a maquiagem bem atrapaiada). Ficamos trocando a maior idéia, até atendemos um telefonema e tivemos que chamar umas pessoas na clínica médica masculina. Acontece que ela tem um problema chamado formigas nos pés, e não consegue ficar parada. Anda o dia todo. O médico, na verdade, diagnosticou que ela é peralta. E que o problema que ela tem na cabeça chama-se loucura, isso sim. Menina louca. Nâo parava de jeito nenhum, em todos os quartos nos quais eu passava ela estava lá. Arrecadava comidinhas pra todo lado. Conversava com todo mundo. Ela estava com o braço roxinho, roxinho, e o médico nem conseguia mais encontrar veias para dar uma picadinha. Então ele teria que picar o pé. Pronto! Foi a maior afobação! Imagine ela, sem poder andar pra lá e pra cá? Nunca!!!
A dona Lucinda estava com a filha, que parecia que tinha a cara meio trancafiada, mas vi que não era séria. E a dona Maria também estava ainda no leito ao seu lado, mas seu estado não estava muito reconfortante. Ninguém consegue entender o que ela diz, pois está toda entubada e tem muita dificuldade em se expressar. Mas ela continua tentando. Eu conversei com ela, apesar de não estar entendendo bem o que ela dizia, paralelamente aos alertas da Dona Lucinda de não me aproximar e nem tocá-la (a placa reforçava que ela estava em condições de isolamento). E, na saída, ela dizia: "obrigada, tchau!"...
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Às vezes me dá um desânimo de ir até o hospital. Principalmente porque tenho andado muito cansada e cheia de trabalho e responsabilidades. Pouco tempo pra mim mesma. E tenho medo de que o hospital seja uma sobrecarga para a minha falta de atenção comigo mesma. Mas então eu lembro do porque me comprometi com esse trabalho, e eu levo muito a sério esse negócio de palavra. E também me recordo da Roberta, do Centro de Voluntariado de SP, respondendo a uma colocação de um funcionário do Itaú, durante uma de nossas palestras. Ele dizia: "eu nem sempre ia até a creche, porque sei que se eu não estiver bem, descansado, feliz e sob todas as condições, posso não fazer bem às crianças", e ela: "quando você não acorda bem, descansado, feliz e sob todas essas condições, não vem trabalhar no Itaú, não?".
Tipaf!!!!!!!!!!!!!!!!!
E é gol.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

01/10/2007 – Hospital São Paulo

Horário: das 19h às 21h30




Quase 30 minutos só no corredor das neurocirurgias, por conta de uma moça que estava esperando uma senhora, que já estava com alta, desocupar o quarto. Ela estava lá desde as 16h esperando, e era 19h! Estava ela e a vizinha. Ela era cearense e forrozeira de primeira hahaha pena que não quis dançar comigo no corredor.

Na clínica médica feminina, conheci uma menina que já estava de saída. No quinto semestre de contabilidade, ela quis saber mais sobre minha graduação em besteirologia, mas eu disse que pra saber mais ela tinha que topar um quis-bate-bola-passa-ou-repassa. Arredou.

No primeiro quarto, conheci a dona Lucinda e a nora, uma fofa. A dona Maria não conseguia falar, apenas gesticular os lábios, mas cantei Maria, Maria pra ela e ela não parava de rir. Será que eu cantei tão mal assim???

A Ritinha era linda, e estava lendo vários livros pois quer ser assistente de enfermagem. Ela disse Deus-me-livre quando perguntei se ela estava fazendo estágio prático no leito, mas deu muita risada.

A dona Marcia estava toda sorridente com o maridão Cristiano ao lado. Radiantíssima, e está internada desde o dia 10 de agosto. Fazendo uma série de exames e tratamentos para evitar uma cirurgia que remova pus do cérebro. Não entendi direito o que ela pôs, mas ela também não soube explicar.

A dona Nilda, por sua vez, estava bem branquinha de anemia, e estava estreando um conjunto de tubinhos que não a deixavam dormir de lado. Mas também foi superdivertida.

O residente Ernesto, que negou ser chamado de Che, disse que me amava mesmo tendo namorada. E as mocinhas da limpeza que estavam no sétimo andar descobriram minha identidade secreta porque ficaram fazendo plantão no corredor, até eu terminar de me trocar! Vê se pode!