domingo, 30 de setembro de 2007

17/09/2007 - ReciclaCanto


















Um curso de assedentarismo avançado.

16/09/2007 - Domingão Cidadão

Aproximadamente 30 Doutores Cidadãos se reuniram no Hospital Regional de Osasco.



Mais fotos: http://www.cantocidadao.org.br/fotos.php?GaleriaId=19.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Remoticidade


Traking e recording pelo controle remoto. Devolve, me dá, não faz para me provocar.


Trocando o canal, viajei nos cordões de uma viola redonda de aço, catei coquinho de chapéu de palhaço, mergulhei nas águas de março de um ano trissexto. Senti perfume de cola quente, descobri o Brasil por São Vicente, respondi à vidente porque tanta gente pergunta. Li entrelinha de tricô, lavei o cabelo onde se faz cocô, inventei clichê default de poema libertário.


Troca o controle remoto, mãe, troca, que tudo está sem controle. O controle não funciona, mãe, perdi o controle, não encontro em lugar algum. Mãe, me ajuda, por favor! Mãe, eu não consigo assim... Eu quero meu controle, me dá o controle de mim!


Troca o canal, você está cortando o remendo improvisado, misturando Chico com Frank dos teclados, falando tudo errado só porque é gramaticalmente correto. Assoprando vela de sete dias, consolando mendigo que já não bebia, recolhendo garrafa vazia pra encher a geladeira.


Devolve o controle, que sem controle não faço nada! Mãe, sozinha eu não controlo, me bota no colo e me faz voltar a controlar. Segura minha mão, mãe! Me ajuda a manipular. Manipula, mãe não pula, que eu controlo e quero de volta o controle remoto, mãe... Mãe, o desespero é alentador, me arranja um controle remoto, remonta a dor, rebobina a controvérsia, pausa o descontrole. Eu nunca quis perder o controle, não escolhe por mim, mãe. Eu quero independência, me dá de volta o negocinho que avança pra frente e volta pra trás, coloca ordem e pula as fases, mãe me deixa. Eu quero tudo, mãe, tudo! Tudo sob controle!!!

domingo, 9 de setembro de 2007

08/09/2007 - Hospital São Paulo

Início: 12h15 / Término: 14h


Numa saga indescritível, comprei novas luvas e chapéu pela manhã, na Ladeira Porto Geral. Ainda encontrei uma amiga nas catracas do metrô que já me avisava de antemão que a rua estava impossível - “boa sorte”. Ainda bem que a loja ao lado da entrada da estação do metrô tinha tudo o que eu precisava; meu infortúnio fora atravessar um oceano de carne e cabelos com uma mochila gigante. E, como se não bastasse, ainda me lembrei que havia esquecido meu jaleco em casa. POATZ.



Com isso, cheguei ao hospital às 11h50, mas a alegria lava a alma, minha gente! E desodorantes emergenciais servem pra isso mesmo. Acabei me trocando e me maquiando demasiadamente depressa, e nem fiz um break-relaxing. Confesso que isso faz falta. Iniciar as mil interações sem fazer um momento de silêncio não foi muito saudável, pois senti uma grave queda de energia ao terminar, e fiquei o dia inteiro acabada. Lembrete: sempre fazer relaxamento antes de sair do minúsculo banheiro, mesmo que haja fila.



A clínica de endocrinologia e cirurgias torácicas não é de minha abrangência, mas como o banheiro fica nesse território, não há como evitar olhares e sorrisos interessados quando ainda estou de mochila e fechando a porta. Assim conheci o enfermeiro Douglas, a menina Débora e sua mãe, Iraci. Duas graças, a filha de 16 anos e a mãe de 42. Depois de longas risadas, Débora me levou para visitar Ana, uma moça paraguaia que estava num quarto próximo.



Bem, nada como um hospital para treinarmos castellano, no? Ana e Rita, sua vizinha (suavezinha?)de cômodo, depois até me ouviram ler uma crônica de Luis Fernando Veríssimo.
No terceiro andar, conheci mais algumas moças – Iraci Adriana, que é chamada pelo primeiro nome no hospital, mas gosta do segundo, e dona Maria José e sua irmã. Maria José e sua irmã são analfabetas, e a segunda teve 12 filhos, mas hoje estão vivos apenas 5. São ambas de Recife e donas-de-casa.



No outro quarto, encontrei novamente a dona Oneide (quero dizer, eu, como quase todos, achava que era Neide), com uma nova colega, a Miriam. A Oneide me viu do lado de fora do quarto e já começou a gritar “cadê meu nariz? Cadê meu nariz?”, achei bárbaro! Ela está há exatamente um mês internada, ela não esperava tudo isso. Está em recuperação de um processo depressivo, mas parece bem melhor! Falante, empolgada, mas com mais aparelhagens em torno de si. É claro que as duas ganharam um nariz cada, e caíram na gargalhada quando contei até três e se entreolharam sobre as “bolas rojas”. Lindas e radiantes. Miriam trabalha na lavanderia do hospital e já estava se recuperando.



Duas horas e sete pessoas; minha média está interessante. Não consigo entrar e sair de um quarto sem garantir que o paciente esteja conversando bem, principalmente que esteja conversando com seu colega de leito... Se tem uma coisa que aprendi com a vinda do Dr. Patch Adams, é que a “amenização” não pode estar somente no momento em que o voluntário está no ambiente, mas sim na transformação do mesmo...



segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O que é musicoterapia?



Nada melhor do que presenciar, dentro do Mercedes-Benz no qual eu me locomovia em direção ao HSBC Belas Artes, um pequeno mas amável concerto de cordas.




Um violão de seis cordas e um violino. Adorável, não??? Bem, o carequinha da minha frente estava um pouco impaciente. Ele deve ser jurado ou banca de concursos de música e ter mania de perseguição, algo do tipo.


A questão é... O Patch Adams disse hoje, em sua palestra aqui em São Paulo (organizado pela http://www.copatch.com/), que achou engraçado quando disseram a ele o termo "musicoterapia" (provavelmente disseram isso em inglês). Puxa, na hora fiquei triste. Antes de ter a dúvida publicidade ou jornalismo, e depois de ter desistido de fazer artes cênicas, eu pensei nas tais terapias alternativas. Afinal, nada mais descolado, não? O importante é ter espaço no mercado o suficiente para inovar e não lidar com gente que acha que manja de tudo.


Enfim. Ele achou bonitinho, engraçadinho. Musicoterapia. Isso foi quando uma moça perguntou a ele que dicas ele teria para que ela montasse uma ala de lazer (lazer, não laser, porque isso já tem de monte) no Hospital Albert Einstein, um projeto revolucionário, segundo ela, mas que estava disposta a tocar adiante. Bem, ele achou engraçado ter um departamento para o lazer. Lazerterapia. Como a tal musicoterapia. Arteterapia? (Arteriaterapia?? Artriteterapia??? Huhuauah que divertido isso.) Ai está o problema, ter que criar departamentos para essas coisas. A humanização hospitalar está exatamente na questão de que é a estrutura, o ambiente, os processos hospitalares que precisam sofrer um check up emocional.


Bem, isso não é só no hospital. Imagina se a gente inventa de ouvir música só fora do horário de trabalho? Imagina se a gente inventa de se divertir só quando não tem nada pra fazer, quando tem tempo livre? Imagina se a gente pensa que ser profissional e fazer um trabalho sério é ser sério. Sisudo. Que isso impõe respeito. Aliás, imagina a gente ter que impor respeito ao invés de conquistá-lo??? Puxa, a vida ia ser um saco, né?



(desculpe pela resolução, mas é foto de celular, sabe como é que é que trabalham essas células né? - e você viu que chique essa moda da tiarinha?)