
Traking e recording pelo controle remoto. Devolve, me dá, não faz para me provocar.
Trocando o canal, viajei nos cordões de uma viola redonda de aço, catei coquinho de chapéu de palhaço, mergulhei nas águas de março de um ano trissexto. Senti perfume de cola quente, descobri o Brasil por São Vicente, respondi à vidente porque tanta gente pergunta. Li entrelinha de tricô, lavei o cabelo onde se faz cocô, inventei clichê default de poema libertário.
Troca o controle remoto, mãe, troca, que tudo está sem controle. O controle não funciona, mãe, perdi o controle, não encontro em lugar algum. Mãe, me ajuda, por favor! Mãe, eu não consigo assim... Eu quero meu controle, me dá o controle de mim!
Troca o canal, você está cortando o remendo improvisado, misturando Chico com Frank dos teclados, falando tudo errado só porque é gramaticalmente correto. Assoprando vela de sete dias, consolando mendigo que já não bebia, recolhendo garrafa vazia pra encher a geladeira.
Devolve o controle, que sem controle não faço nada! Mãe, sozinha eu não controlo, me bota no colo e me faz voltar a controlar. Segura minha mão, mãe! Me ajuda a manipular. Manipula, mãe não pula, que eu controlo e quero de volta o controle remoto, mãe... Mãe, o desespero é alentador, me arranja um controle remoto, remonta a dor, rebobina a controvérsia, pausa o descontrole. Eu nunca quis perder o controle, não escolhe por mim, mãe. Eu quero independência, me dá de volta o negocinho que avança pra frente e volta pra trás, coloca ordem e pula as fases, mãe me deixa. Eu quero tudo, mãe, tudo! Tudo sob controle!!!

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